Florença: a cidade e suas pontes

Aaaah, Florença! Estar aqui é como retroceder séculos sem perder os benefícios da modernidade. Este município de mais de 100 km² e quase 400 mil habitantes impressiona pelas construções em pedras e todo um clima de cidade medieval, sem perder o benefício da água quente e do wi-fi.

É possível – e até prazeroso – se perder caminhando pelas ruas de pedra, onde a passagem de carros é restrita. Observar construções tão altas em ruas tão estreitas que é quase uma missão impossível obter um ângulo adequado para uma boa foto. Surpreender-se com detalhes como anéis de metal presos às paredes onde cavalos eram amarrados antigamente ou passar por belas e grandes portas de madeira das igrejas, galerias e restaurantes imaginando como e porque assim foram feitas.

florenca2
É sempre tanta coisa bonita pra ver!

Todo esse clima fica ainda mais completo com estátuas e fontes seculares espalhadas pelas ruas e praças. De quebra, é passeando por aqui que terão a oportunidade de encontrar um dos templos mais belos de toda a Europa: o Templo Maggiore (Templo Principal), sobre qual faremos um post mais detalhado futuramente.

Como se a própria cidade não fosse uma obra de arte gigante, várias obras de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto, Botticelli, Rafael Sanzio, Donatello e outros estão espalhadas pela cidade. Inclusive a escultura mais impressionante que já vimos: O David de Michelangelo.

Ou seja, há tanta coisa para ver, descobrir e aprender, que a impressão é que todos os museus, galerias de arte, igrejas e construções não são suficientes. Missão mais difícil ainda é conseguir escrever sobre tudo o que a cidade consegue proporcionar. E foi pensando nisso que decidimos escrever apenas sobre alguns assuntos e detalhes que consideramos úteis e ou interessantes, de forma que vocês possam aproveitar melhor a estadia pela capital da Toscana.

Começaremos por um dos assuntos não tão comuns entre os turistas, mas que certamente fascinam e já fascinaram muitas pessoas no decorrer dos séculos: as pontes. Quem nunca ouviu falar sobre a Tower Bridge, a Ponte de Rialto, a Golden Gate ou até mesmo a nossa brasileirinha Ponte Rio-Niterói? Pois é, o relacionamento entre a humanidade e as pontes foi sendo construído ao longo dos anos (perdoem-me pelo péssimo trocadilho!). Uma das civilizações que contribuíram para a evolução na construção de pontes foi a romana, no século III a.c., com suas pontes em arco. A técnica era tão eficiente que não seria superada pelos próximos mil anos. Além da técnica de construção e dos projetos inovadores, a utilização do cimento pela primeira vez foi essencial para que algumas dessas pontes ainda estejam de pé.

Legal, né? Mas e Florença? Por que vocês estão falando sobre pontes em uma das cidades mais interessantes da Itália? Simples. Florença é cortada pelo Rio Arno, de forma que parte da cidade que você vai querer visitar fica do outro lado e, lembre-se, o Império Romano e sua técnica de construção de pontes estiveram por aqui.

Mais do que seu próprio interesse em conhecer o outro lado da cidade, podemos dizer que parte da história de Florença está ligada ao fato de que no século XII, quando uma muralha foi construída em volta da cidade incluindo a área do outro lado do rio, a necessidade de se cruzar o Arno aumentou de tal forma que várias pontes foram construídas. As conhecemos por Ponte São Nicolau, Ponte Alle Grazie, Ponte Santa Trinita, Ponte alla Carraia, Ponte A. Vespucci, Ponte alla Vittoria , Ponte all’Indiano e, uma das mais famosa do mundo, Ponte Vecchio.

 

pontes2
Várias pontes de Florença enfileiradinhas no rio Arno.

Elas já seriam impressionantes só por estarem ali. Muitas foram destruídas mais de uma vez pelas cheias do rio ou por explosões em guerras. A própria Ponte Vecchio, como a conhecemos hoje, só continua intacta porque foi poupada pelos alemães durante o bombardeio na retirada de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial (talvez o motivo de sua preservação seja porque o próprio Hitler por ela passou). A natureza, no entanto, não foi assim tão bondosa, castigando tantas vezes quanto pôde ser reconstruída (1117, 1170 e 1333, por exemplo).

O diferencial e esquisito dessa ponte são as muitas lojas em sua extensão e a presença de uma praça no meio. Isso tem um motivo. A ponte só pôde ser reconstruída com a renda do aluguel de 43 lojas que ficaram dispostas simetricamente por toda sua extensão. Inicialmente tratavam-se de açougues, loja de guloseimas, sapatarias, carpintarias, lojas de forragem, armarinhos, revendas de produtos de segunda-mão entre tantas outras. Deve ter sido um bom negócio para todos já que a cidade tinha novamente sua única ponte para cruzar o Arno e as lojas poderiam aproveitar, o que imagino ser, o maior fluxo de pessoas da cidade.

A “festa” acabou quando o grão-duque Fernando I ordenou que os antigos vendedores fossem expulsos para a instalação dos ourives, joalheiros, casas de penhores e afins. A história conta que por ser muito frequentada por cavalheiros e estrangeiros, as lojas deveriam ser mais apropriadas. Dizem que a o motivo real é que ele não gostava do cheiro do mercado de carne ali presente e por isso ordenou que todos saíssem para a ocupação dessas outras lojas. Atualmente é frequentada por turistas, moradores e talvez alguns não tão cavalheiros assim, além de continuar comportando muitas lojas de joias e ourives.

pontes4
Ponte Vecchio a noitinha. Que linda, não?!

Pode ser injusto ou esquisito, mas não seria a última exigência extravagante de um político na região. A ponte que foi sendo modificada no decorrer dos anos, trocando seus blocos de pedra medievais por pilares finos renascentistas e janelas, mudou muito após a construção do Corridoio Vasariano a mando do pai de Fernando I, Cosimo I.

O Corredor de Vasari é uma estrutura que une a residência dos Medici no Palazzo Piti até a Uffizi no lado oposto do rio Arno, onde a família trabalhava. O corredor leva o nome do arquiteto que a projetou: Giorgio Vasari. Na internet é possível encontrar alguns motivos pelos quais ele fora construído. O que nós ouvimos por lá – e nos pareceu fazer sentido – é de que foi construída para levar em segurança o Cosimo I e sua família de um lado para o outro do rio, além de mostrar seu poder construindo uma obra dessa importância em tão pouco tempo (menos de seis meses!).

pontes6
Corredor saindo aqui da Ufizzi, atravessando o rio sentido Palazzo Piti.

Atualmente é possível visitar o corredor em alguns períodos do ano. Infelizmente não visitamos, mas soube que é possível reservar entradas por do telefone. Apesar da impossibilidade de expor em sua totalidade, o “corredor” possui um acervo de mais de duas mil obras. No tour guiado, você verá uma parte desse acervo enquanto lhe contam as histórias das pinturas e algumas fofocas da época. É possível tirar algumas fotos do Rio Arno e suas pontes através das pequenas janelas originalmente construídas ou das janelas alargadas – para que o povo visse Hitler passando.

Agora entende porque escrevemos sobre as pontes de Florença? Elas não serviram somente para ligar as duas margens do Arno, mas também para nos contar um pouco mais sobre a história dessa linda cidade e alguns detalhes que podem tornar a sua visita mais divertida e proveitosa.

Ah! Agora que sabe tudo sobre as pontes, que tal aproveitar a melhor parte e admirar a cidade pelas perspectivas singulares dessas charmosas pontes?

pontes5
Vista do amanhecer da Ponte Vecchio. Tem como não admirar?!

Um comentário em “Florença: a cidade e suas pontes

Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: