Hotel de Selva na Amazônia – Atividades do Terceiro Dia no Anavilhanas

Olá Viajantes,

Este é o nosso terceiro post sobre as atividades que fizemos quando nos hospedamos no Anavilhanas Jungle Lodge. Para quem caiu de paraquedas direto neste post, pode querer ler sobre nossos primeiros dois dias:

Primeiro dia

Segundo dia

Para quem já leu, bora seguir viagem!

Esse é o cenário em frente ao hotel logo pela manhã. Vale a pena acordar cedo para tirar algumas fotos

Contemplação do Nascer do Sol

Acordamos bem cedo no terceiro dia para fazer a atividade de contemplação do nascer do sol. Acordamos ainda de madrugada para nos aprontarmos a tempo. Como o período da manhã costuma ser um pouco mais fresco, ainda mais com o vento que bate quando o barco navega pelo rio, sugerimos que leve um casaco corta vento.

Já no lobby aguardando os demais hóspedes, foi nos servido um cafezinho para dar aquela acordada e não seguir viagem de barriga vazia. Claro que na volta tomamos o gostoso café da manhã de sempre.

Com a chegada dos demais hóspedes e a confirmação dos que desistiram porque não conseguiram acordar, seguimos para a agora (depois de dois dias de atividades) muito conhecida voadeira e partimos.

Um chinelinho e a brisa da manhã para começar o dia

Já havíamos navegado no período da manhã, da tarde e até mesmo da noite com as focagens noturnas, mas antes do sol nascer era a primeira vez e a paisagem não nos desapontou.

A voadeira seguiu pelos “furos”, que já explicamos ser os atalhos das florestas alagadas, até chegarmos em um “lago” de tamanho razoável. O barco estacionou de lado no topo de uma árvore inundada de forma que pudéssemos ver o horizonte de onde o sol deveria aparecer.

Mesmo se o sol ficar atrás das nuvens, o cenário ainda é dos mais bonitos para serem vistos

Em qualquer lugar do mundo, o período da manhã é um dos melhores horários para observação da vida selvagem. Mesmo este não sendo o propósito do passeio, tivemos a companhia dos Tucuxis enquanto aguardávamos o sol aparecer. Eu me lembro do silêncio da floresta e de como podíamos ouvir o barulho da água quando apareciam os dorsos dos tucuxis que subiam e desciam para respirar na sua caçada matinal de café da manhã rs.

Apesar de um cenário muito bonito, as nuvens esconderam o sol que apareceu timidamente entre elas. Mesmo não sendo um nascer do sol radiante e amarelão, foi um princípio de manhã revigorante. O som da floresta, a brisa fresca no barco e a presença dos tucuxis, das araras e papagaios voando logo cedo tornaram a manhã memorável.

Um dos tucuxis que apareceram enquanto aguardávamos o nascer do sol

Assim que o sol aparece por completo, o barco começa a fazer o retorno para o nosso café da manhã e próximo passeio:

A pesca de piranhas

Esse foi outro passeio que acabamos fazendo apenas nós dois e o guia. Outro morador local e com bastante experiência em pescaria nos levou para essa brincadeira. É um passeio rápido e que só está disponível em certo período do ano.

Era por volta de 9 horas da manhã quando o barco parou debaixo de uma árvore próximo da borda do rio. O guia nos explicou que o melhor horário para pescar era logo cedo, mas que tentaríamos a sorte.

Cada um de nós ganhou uma vara de bambu com um anzol na ponta da linha e um potinho com pedacinhos de carne. Nós temos zero experiência em pescaria e estávamos ali para nos divertir. O guia então explicou que prenderíamos os pedacinhos de carne com bastante sangue no anzol e colocaríamos na água próxima do fundo do rio que estava bem raso naquela altura. Assim que sentíssemos a fisgada, deveríamos puxar com certa força para pegar a piranha.

Com medo da piranha escapar da minha mão? Com certeza!

Cada um de nós ficou de pé e virado para um lado do barco. Poucos minutos depois começou o banho de pescaria da Isis. Sentindo a fisgada ela puxou com força e a piranha logo apareceu na ponta da linha. Já do outro lado do rio, nada para o Augusto. Depois de umas 6 ou 7 piranhas fisgadas, resolvemos trocar de lado para provar que não era uma questão de habilidade. Mas a verdade é que a Isis pescou mais umas 3 ou 4 piranhas, sendo que uma delas escapou do anzol e caiu dentro do barco para o nosso desespero e para as muitas risadas do guia que se divertia com a nossa falta de experiência.

Depois de uns 40 minutos de pesca o placar já estava uns 15 a 2 para a Isis. Considerando que as piranhas já estavam de barriga cheia e a lavada só aumentava, resolvemos voltar para o hotel. Não chega a ser um passeio imperdível, mas podemos concluir que é divertido, gera alguma história de pescador para contar e complementa a estadia. Na volta demos boas risadas sobre nossa grande pescaria e com grande expectativa sobre o passeio da tarde:

A Trilha na mata de terra firme

Como já explicamos neste post, o nível da água dos rios da Amazônia muda muito a depender da época do ano. No período em que o rio desce, surgem algumas trilhas de terra firme que podem ser visitadas.

Esse era um daqueles passeios de grande expectativa. Poder andar no meio da floresta em terra firme identificando as plantas, árvores e podendo sentir um pouco do ambiente era um dos grandes motivos de estarmos hospedados em um hotel de selva.

A floresta é úmida e quente. Entra pouca luz e vento por conta da mata fechada.

No horário combinado seguimos só nós dois para o barco com o guia que faria a atividade conosco. Não muito distante do hotel, o barco parou em um começo de trilha já muito bem marcado e combinou onde nos pegaria na volta.

Após subirmos uma escadaria improvisada de madeira em um barranco, seguimos por uma trilha secundária para dentro da floresta. A primeira parte era bem definida e o guia, morador local e conhecedor da região, foi nos explicando sobre o que aparecia pela frente e algumas técnicas de sobrevivência na floresta.

Uma das primeiras paradas foi em um tipo de formigueiro muito conhecido na região. Grande, atracado em um tronco de árvore que não tocava o chão, o grande ninho de mais de um metro de cumprimento devia abrigar milhares e milhares da formiga Tapiba. Esse formigueiro é famoso por ser usado pelos indígenas em suas caçadas. Esmagadas contra o próprio corpo, as formigas liberam um cheiro cítrico que disfarça o odor humano confundindo as presas e permitindo que os indígenas se aproximassem um pouco mais. Depois de uma pequena demonstração, o guia nos convidou para colocar a mão no formigueiro e fazer o mesmo processo. Toparia?

Esse é o formigueiro com mais de um metro das Tapiba

Outra formiga que conhecemos foi a formiga-limão. O mais interessante sobre essas formigas são que elas não constroem um formigueiro. Pelo menos não do jeito que estamos acostumados a ver.

Há uma lenda contada pelos indígenas do Peru sobre os chamados “Jardins do Diabo”. Assim eram conhecidas algumas clareiras com apenas uma ou duas árvores que se formavam no meio da densa floresta amazônica. Segundo reza esse folclore, os espíritos malignos limpavam as ervas daninhas do jardim durante a noite e deixavam apenas sua árvore favorita viva no meio do clarão. Por conta disso, ninguém ousava entrar nesses clarões depois do pôr-do-sol para não dar de cara com o dito cujo fazendo jardinagem rs.

Nessa foto dá pra ver bem o inchaço por onde elas entram e saem

Apesar da lenda super interessante, as formigas são a razão científica para o clarão. As árvores que são mantidas na verdade servem como formigueiro. As hastes das folhas das árvores têm inchaços por onde as pequeninas formigas entram e saem, fazendo ninhos nas câmaras ocas da estrutura da árvore.

Você pode até achar que elas estão se aproveitando da árvore, mas na verdade é uma relação de ganha-ganha. Isso porque as formigas atacam e expulsam outros insetos que tentam se alimentar de suas folhas. Mesmo os insetos muito maiores são expulsos. As bravas formigas identificam e atacam o ponto fraco até que o inimigo se renda e deixe sua árvore em paz.

Olha como é oca no espaço onde elas fazem os ninhos. Essa formigas com certeza tem umas das lendas mais curiosas da Amazônia.

Como se isso não bastasse, o mais diferente é que essas formigas formam verdadeiros pelotões para patrulhar próximo de sua árvore e identificar novos brotos. Se descobrem que esse broto não é da família do seu hospedeiro, elas mordem os ramos e injetam ácido fórmico nas recém feridas até que a planta murche e morra. Isso explica os verdadeiros clarões desses Jardins do Diabo e o quão espertas são essas formigas.  

Seguindo caminho vimos alguns tipos de árvores, entre elas o Pau-Roxo, que possui o tronco com uma coloração exoticamente roxa usada em marcenaria de luxo, e o Breu Branco, de onde é extraída a resina que é usada como aroma para muitos perfume e produtos para o corpo.

Paramos ainda para conhecer a Escada de Jabuti. Também conhecida por Pata de Vaca, trata-se de um cipó muito comum nas florestas da américa latina e que crescem curiosamente de forma lateral. É pela grossura que sabemos se é um cipó jovem (mais finos com 1 cm de largura) ou mais antigas (podem superar os 30 cm).

O guia nos contou que muitas pessoas fazem chá com um punhado para tratamento de doenças inflamatórias e reumatismo, além de combater o colesterol. A Amazônia é mesmo incrível!

Da série de plantas fantásticas que encontramos na Amazônia, encontramos a Escada de Jabuti.

No meio da trilha e um pouco atrasados no nosso trajeto, ouvimos vozes de outro grupo que se aproximava. Então o guia decidiu cortar caminho na mata fechada. Foi de certo uma aventura quando ele saiu abrindo na base de facadas uma nova trilha enquanto a gente tentava acompanhar pulando troncos e pisando em caminhos de camadas de folhas que chegavam no tornozelo e que provavelmente não eram pisadas em muitos anos.

Foi então, em uma rápida parada para ouvir uma história que o guia contava, que eu ouvi um barulho vindo da mata na direção oposta de suas costas. Ver animais grandes à luz do dia em uma caminhada na mata é muito difícil, mas tivemos sorte. Quando menos esperávamos uma paca selvagem saiu correndo de trás de um arbusto. Foi tudo muito rápido e logo que ela notou nossa presença mudou de direção e seguiu caminho.

No momento fiquei muito empolgado pelo encontro, mas depois fiquei pensando o que teria feito ela correr em nossa direção. Supostamente algo para ela mais perigoso que a nossa presença. Será que o outro grupo de turistas a assustou e ela correu para a nossa direção ou havia um perigo maior?! Nunca saberemos, mas foi um momento muito legal e surpreendeu até mesmo o guia que disse que foi a primeira vez que acontecia.

Você precisa fazer pelo menos uma trilha na mata em terra firme.

Com o horário muito apertado, seguimos para o local onde o barco já estava nos aguardando. O único problema desse passeio é que ele foi muito curto e só dá para sentir um gostinho do que é possível encontrar nas trilhas. Acredito que andamos por um pouco mais de uma hora de caminhada e, apesar de termos visto muita coisa e termos tido um encontro inesperado com a paca, tínhamos uma expectativa muito grande sobre as trilhas na mata que não foi atingida. Voltamos ao hotel com uma ideia: precisamos dar um jeito de fazer uma trilha mais cumprida e profunda na mata!

O guia tentando atrair uma caranguejeira para fora da toca

O grande furo no nosso plano era que iríamos embora no dia seguinte e não tínhamos mais tempo para uma grande jornada. Foi quando o destino veio em nosso socorro. Uma família havia cancelado uma reserva e conseguimos negociar a extensão da nossa estadia para mais um dia. E para ajudar, descobrimos que no dia seguinte teria um grupo que faria a Trilha pelas grutas do Madadá. Esse é um passeio de dia inteiro em uma trilha guiada de três horas que terminava com um almoço na Base Avançada à 50 km acima do Lodge. Era isso que estávamos procurando!

Dica do Detalhes: Nenhuma das trilhas no Anavilhanas se compara à trilha pelas grutas do Madadá. Se a ideia é ter uma caminhada leve e rápida, a trilha em terra firme próximo ao hotel atenderá suas expectativas. No entanto, se você quer uma experiência mais completa, já reserve sua estadia no pacote que contempla esse passeio. Passeios e reservas em cima da hora podem não acontecer pela agenda do hotel ou serem mais caros do que se planejado com antecedência.

Dicas do Detalhes 2: Estamos diqueiros hoje rs. Nós só conseguimos estender uma diária no hotel sem alterar nosso voo porque ainda passaríamos a última noite em Manaus. Se você capturou nossa dica nesse post, recomendamos que se hospede em Manaus antes e depois do hotel de selva. Desta forma poderá contar com os transfers que otimizam sua estadia e você aproveita o máximo dos passeios disponíveis. De outra forma, você não conseguirá fazer o passeio da tarde no dia da chegada ou o passeio da manhã no dia do retorno. Além disso, serve também para evitar perder seu voo caso tenha algum problema que o impeça de chegar em Manaus a tempo ou por opção caso resolva esticar um dia no hotel de selva.

Não me canso de ver as fotos dessa viagem : )

O dia seguinte seria então o passeio que mais gostamos de fazer, mas isso é assunto para o post da semana que vem. Se ficou curioso ou gosta de acompanhar nossas viagens, não deixe de curtir nossas redes sociais (Instagram e Facebook) para acompanhar onde estamos e todos os Detalhes de Viagem para a sua próxima viagem. Até a próxima!

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