Hotel de Selva na Amazônia – Atividades do Segundo Dia no Anavilhanas

Olá Viajantes,

Quem tem acompanhado nossas últimas publicações já sabe que estivemos hospedados no Anavilhanas Jungle Lodge para a nossa primeira experiência em um hotel de selva.

Mesmo chegando na hora do almoço, conseguimos aproveitar dois passeios logo no primeiro dia: conhecer uma comunidade ribeirinha e a primeira experiência de focagem noturna. Acordamos para o segundo dia muito animados com a nossa programação e prontos para o meu primeiro X-Caboquinho no hotel rs.

Eita saudade desse lanche rs

A primeira noite

Que o quarto no bangalô era muito bom, a gente já sabia. Não só pelas fotos que tínhamos visto pela internet, mas pelos próprios comentários que o hotel recebe no Tripadvisor. Mas mesmo confiantes de todo o conforto que nos esperava, restava uma pequena dúvida: será que o quarto vai ficar cheio de insetos?! Apesar da vontade de nos hospedarmos em um hotel de selva e estarmos super tranquilos em encontrar animais e insetos em diversas partes do nosso dia, não estava nos nossos planos acordar de noite com uma aranha ou outro tipo de animal no nosso quarto.

A boa notícia é que essa preocupação foi desaparecendo ao longo dos dias. Apesar dos vidros no teto e na lateral do box do banheiro dar uma sensação gostosa de tomar banho no meio da mata, as janelas não abrem. O mesmo podemos dizer da varanda toda envidraçada que separa o quarto da mata, permitindo que o hóspede observe o exterior sem a preocupação que algum macaco entre no quarto, por exemplo.

A rede na varanda do quarto para descansar entre uma atividade e outra

Ainda assim, precisamos considerar que muitos insetos são pequenos e podem passar pelas frestas das paredes e pelo vão debaixo da porta. Por isso toda a noite fazíamos a nossa pequena investigação nos travesseiros, lençóis e debaixo da cama. Fora poucos insetos mortos ou aranhas minúsculas, não encontramos nada nada. A sensação na verdade é que alguém já passava no quarto antes do nosso retorno do segundo passeio ou do jantar para fazer uma verificação. Não posso afirmar que esse controle de fato existe, mas podemos dizer que o quarto estava sempre arrumado no período da tarde e, para nossa alegria, alguns chocolates eram colocados na cama.

Então se você, assim como nós, não quer dormir com os insetos, saiba que tivemos uma experiência muito tranquila em todas as noites do quarto, apesar de pequenas rãs, cigarras e outros insetos e bichos que vimos do lado de fora o tempo todo.

Tour pelo Arquipélago

Depois de um ótimo café da manhã partimos para o primeiro passeio do dia. Apesar de durar meio dia, consideramos que o tour pelo arquipélago é um dos passeios mais completos do hotel e vale muito a pena garantir que esteja em seu roteiro.

O passeio começa como todos os outros, com os hóspedes entrando em uma voadeira que sairá navegando pelo Rio Negro. O barco que entra na parte larga do rio, começa a procurar o que eles chamam de “furos”. Furos são os atalhos criados entre as ilhas de floresta alagadas que os barcos usam para circular entre os lagos e outras partes do rio. O legal de navegar nesses atalhos é poder estar muito próximo da mata, onde o barco passa devagar enquanto observamos as árvores espalhadas no escuro Rio Negro dando a impressão de estarmos olhando um espelho que dobra o tamanho de tudo o que vemos. Nesse momento o guia vai passando informações sobre as árvores e mostra as marcas de onde a água chegou nas últimas altas do rio.

E pensar que na época de alta, boa parte dessas árvores desaparecem debaixo d’água

A primeira parada do barco foi uma espécie de lago que se formou com a baixa do rio onde o guia identificou que haviam botos cor-de-rosa caçando. Depois de alguns minutos sentados em silêncio esperando, pudermos ver a movimentação de algumas nadadeiras dorsais surgindo na água. Espalhados em diferentes lugares, os botos começaram a cercar os cardumes de peixes de forma que, enquanto alguns cercavam, outros se alimentavam.

A verdade é que não se vê muito além das nadadeiras subindo e descendo em diferentes pontos do rio e precisa estar atento já que é tudo muito rápido. Ainda assim é muito interessante poder presenciar esses animais em seu habitat natural caçando e se alimentando sem qualquer intervenção humana.

Dica do Detalhes: Você pode ler em alguns blogs sugerindo que quem vai se hospedar em um hotel de selva não precisa se preocupar em contratar um passeio de interação com os Botos a partir de Manaus. A nossa sugestão é que você pergunte ao hotel se de fato há um passeio para observar os botos e como funciona. Essa experiência no Anavilhanas é muito diferente da proposta em um flutuante próximo à Manaus, por exemplo. Para quem acompanhou nosso passeio de um dia pelo Rio Negro e Amazonas, sabe que estivemos bem próximos dos botos cor-de-rosa quase domesticados em um flutuante do Rio Negro. Apesar de não estarem em cativeiros, mas sim totalmente livres no rio, aqueles botos estavam muito acostumados à presença de humanos que os alimentaram e interagiram ao longo de alguns anos. Então, para quem quer ter essa experiência mais próxima dos botos e descobriu que o hotel não contempla esse passeio, faça essa atividade a partir de Manaus e deixe para o hotel de selva a experiência de vê-los caçando seu próprio alimento.

Dando sequência ao passeio, paramos ainda em mais dois outros pontos. Em um deles encontramos alguns Tucuxis caçando os peixes do rio. Tucuxi, também conhecido como boto-preto, é uma espécie de golfinho de água doce que vive exclusivamente em ambientes fluviais. Menores que os botos cor-de-rosa, alcançando um metro e meio e aproximadamente 50 quilos, esses golfinhos menos famosos são facilmente encontrados na bacia amazônica.

Mesmo quando os animais não aparecem, a mata e o Rio Negro já são um espetáculo à parte

Entre uma parada e outra, ouvimos o som da floresta e vimos muitas araras, papagaios e garças voando de um lado para o outro. Aproveite cada segundo do cenário porque é mesmo encantador.

Depois desses encontros não agendados com os botos, o barco começa o retorno para o hotel. Antes do fim do passeio, o barco para em uma parte larga do rio e desliga os motores. Nesse momento o guia convida os hóspedes a pularem no rio para um mergulho. Alguns ficam com receio de pular em um rio escuro como o Rio Negro, mas a verdade é que é uma experiência bem legal e recomendamos.

Para os que não nadam muito bem ou não querem fazer muito esforço, aproveite e faça bom uso do seu colete salva-vidas obrigatório em todos os passeios. A água é morna e o calor convidativo para um banho mesmo ainda pela manhã. Após flutuar um pouco, registrar o momento em algumas fotos e nadar pelo rio, cansamos! Afinal, o rio não da pé e não estamos assim no nosso momento mais atleta na vida. Subimos pela escada lateral e partimos para o hotel descansar e almoçar um peixinho de água doce que nos esperava.

Atividade de Canoagem pelos Igapós e Igarapés

Essa atividade não estava listada na nossa primeira programação. Quando conversamos na recepção em nossa primeira noite no hotel para checar a possibilidade de um segundo passeio de focagem noturna, a moça que nos atendeu observou também que tínhamos uma atividade repetida de trilha na mata e sugeriu trocarmos pela canoagem pelos igapós e igarapés. Haviam vagas disponíveis no mesmo horário e ela disse que era uma atividade diferente e divertida.

Até aí tudo bem, concordamos que seria legal fazer uma atividade diferente, com certa aventura e estávamos prontos para alteração. No entanto, antes de dar o ok final, surgiu um pequeno aviso. Ela nos disse que, apesar de ser um passeio lindo, punha à prova casamentos, causava briga entre irmãos e que a paciência entre amigos era testada. Claro que ficamos curiosos e com medo, mas aceitamos mesmo assim.

Depois de aceitarmos recebemos o primeiro sinal. Após nos alistar na atividade a mesma moça sugeriu que não levássemos nada que não pudesse molhar. Incluindo celular ou câmera fotográfica. Apesar de considerarmos estranho, acatamos o pedido e esse é o motivo de não termos foto desse passeio. Então aqui vai a uma Dica do Detalhes: leve uma GoPro ou aqueles saquinhos de celular com cordinha no pescoço para poderem registrar esses passeios sem medo de perder seu aparelho.

No dia do passeio então, após o almoço e um descanso merecido em nosso quarto, nos aprontamos para a atividade de maior conflito do hotel. Encontramos mais um casal que faria o passeio e o nosso guia, dessa vez um biólogo natural de São Paulo que havia feito mestrado na região e morava lá desde então.

Partimos então na já conhecida voadeira que parou no meio rio, próximo ao hotel, para “pescar” as canoas que estavam amarradas aguardando suas próximas vítimas. Eu me lembro que foi nesse momento que caiu a ficha que a canoagem seria raiz e seria meu segundo aviso. Quando olhei as canoas, descobri que não eram essas de fibra moderna que encontramos em resorts no caribe. Eram canoas caboclas, de madeira, rasas, que cabem no máximo duas pessoas e são beeem instáveis.

Essas são as famosas canoas caboclas aguardando as próximas vitimas enquanto ficam ancoradas no Rio Negro

A voadeira então adentrou em um furo e foi o mais próximo que podia a dentro de um igapó sem encalhar. Quando fomos entrar na canoa tivemos nosso terceiro sinal. Na canoa não havia nada além de uma cumbuca. Na mesma hora eu pensei, porque eu precisaria de uma cumbuca se dentro da canoa não deveria ter água?!

Mal havíamos nos equilibrado na canoa e recebemos nossos remos. De madeira e mais pesada do que eu previa, levamos mais alguns segundos para nos reequilibrar e não cair na água. Quando estávamos prontos, vimos que nosso guia, super acostumado, já está muito a frente junto do outro casal que já tinha subido na canoa antes de nós.

Foi só quando começamos a remar que entendemos o motivo de tanta história. Quem está atrás consegue controlar melhor a velocidade, enquanto quem está na frente consegue direcionar melhor a canoa. Só que tudo isso precisa acontecer de forma equilibrada, coordenada, bem comunicada e, pra piorar, em um rio cheio de árvores onde precisamos fazer vários zigue-zagues em espaços curtos. Ou seja, é quase uma dessas terapias de casal rs.

Entre risos (alguns de nervoso), gritos e batidas nas árvores, acho que conseguimos fazer um bom trabalho. Conseguimos navegar sem cair na água e após algum tempo já tínhamos pego o jeito. É claro que tivemos nosso momento de divergência e terapia no começo, mas acho que fomos fortemente incentivados pelo outro casal que tinha partido na nossa frente.

No caso o incentivo não veio por palavras, mas pelo exemplo. Eles brigaram tanto que o vimos cair na água e a canoa afundar a ponto que não dava pra subir de volta no barco sem tirar toda essa água antes. Paramos para observar enquanto o guia precisou pular no rio para tirar a água da canoa (com muito esforço) e ajudar o casal a subir de volta para seguirmos. Depois de vermos o tamanho esforço para tirar a água e voltar ao barco, resolvemos que era melhor nos entendermos para não cairmos também hehe.

Esse é o tipo de cenário que você deve encontrar navegando pelos furos

Quem leu até aqui talvez não queira fazer esse passeio, mas eu preciso dizer que esse passeio é um marco da viagem. Passar de canoa nos igapós e igarapés nos dá a oportunidade de estar próximo da natureza sem o barulho das voadeiras e sem a presença do homem. Podemos pensar que o mesmo se obtém em um passeio de trilha de terra firme. Mas a verdade é que estando dentro da água a perspectiva é diferente. E convenhamos que, estando na maior bacia fluvial do mundo, faz muito sentido ter essa experiência sob o ponto de vista de um barco.

Outro momento divertido do passeio foi ouvir o pássaro conhecido como capitão-da-mata. Com um assobio muito alto e conhecido como o som da Amazônia, fomos seguindo tentando encontrá-lo em uma missão quase impossível. Cada vez que o pássaro assobiava, o nosso guia replicava o mesmo som. Para marcar território, o capitão-da-mata se aproximava de onde estávamos e cantava mais alto. Esse som também serve de aviso para os animais que se afastam rapidinho da presença humana. Aliás, a observação de animais grandes é muito difícil nesses passeios. Conta a moça da recepção que onças foram avistada meia dúzia de vezes em mais de 10 anos de hotel. Ou seja, extremamente raro.

Enquanto remávamos, o guia ainda explicava sobre as árvores que víamos e todo o contexto de biodiversidade. Sobre os estudos recentes e também sobre a formação geológica e hidrográfica do Rio Negro.

Foi nos explicado ainda o motivo da água do Rio Negro parecer um chá preto. É como se a água do rio fosse tingida por ácidos que são liberados nos processos de decomposição de sedimentos orgânicos. Ou seja, os restos de folhas, galhos e todo o resto orgânico que cai na água é dissolvido causando esse tom escurecido. Por isso essa comparação com um gigantesco pote de chá. Outro motivo para manutenção dessa cor é a formação rochosa e a idade avançada deste espaço geológico. Essas características fazem com que a erosão aconteça de forma reduzida impedindo que a água ganhe aquela coloração barrenta que um rio com erosão constante possui (o Solimões, por exemplo).

Observar a natureza sabendo melhor como ela funciona é o tipo de coisa que acreditamos que faz a viagem ser muito melhor. São sempre os Detalhes que fazem a diferença

Acreditamos que um dos pontos altos do Anavilhanas é a mistura da origem de conhecimento dos seus guias. É uma troca de conhecimento científico com conhecimento nativo de quem aprendeu com os próprios povos da mata.

Fomos até o limite que a água permitia navegar antes de retornarmos pelo mesmo caminho e seguirmos de volta para o hotel. Esse é um passeio que muda de acordo com a época do ano. Em determinados períodos a água está tão alta que é possível atravessar até onde não conseguimos chegar desta vez. Já em outros momentos a trilha na região é feita a pé já que o rio está bem mais baixo.

Seja como for, remar em uma canoa cabocla pelo sétimo maior rio em volume de água do mundo, ouvindo os sons da natureza enquanto tem uma aula de geografia in loco com uma terapia de casal é algo que eu tenho certeza que você não esperava, mas que recomendamos muito!

Agora que já sabe o que esperar desse passeio, não deixe de curtir nossas redes sociais (Instagram e Facebook) para acompanhar nossos próximos passeios na Amazônia e outros Detalhes de Viagem que você só encontra aqui. Até a próxima.

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