Ananás, a fruta de origem brasileira e famosa nos Açores

Olá Viajantes!

Sabem o que um bolo, um sorvete, um licor, uma queijada e uma compota dos Açores tem em comum? A resposta é o Ananás. Parece piada eu sei, mas a verdade é que essa fruta, mais conhecida no Brasil por abacaxi dado a influência da língua tupi, despertou enorme paixão entre os portugueses e é patrimônio nos Açores.

Neste post você vai descobrir a relação histórica do abacaxi com o arquipélago e como visitar as estufas da ilha de São Miguel. Vem com a gente!

Olha os Ananás aí em uma das últimas fases do plantio na estufa

Como tudo começou?

A informação de que o Brasil foi colonizado pelos portugueses e que a “nova terra” gerou riquezas e grande influência não é nenhuma grande novidade ou surpresa. Mas talvez o que você não saiba é que não só o ouro ou o pau-brasil despertou fascínio dos europeus. O brasileiríssimo abacaxi (e aqui vale a ressalva que há quem diga que a fruta tem origem paraguaia ou argentina) arrebatou o coração de quem chegava às terras tupiniquins.

A paixão era tamanha que o fruto era descrito em documentos importantes da época. Pêro de Magalhães Gândavo, autor do Tratado da Terra Brasil, ainda em meados de 1560 ou 70 escreveu:

“Uma fruta se dá nesta terra do Brasil muito saborosa, e mais prezada de quantas há. Cria-se uma planta humilde junto do chão, a qual tem umas pencas como cardo, a fruta dela nasce como alcachofras e parecem naturalmente pinhas, e são do mesmo tamanho, chamam-lhes ananases, e depois de maduros têm um cheiro muito excelente, colhem-nos como são de vez, e com uma faca tiram-lhes aquela casca grossa e fazem-nos em talhadas e desta maneira se comem, excedem no gosto a quantas frutas há neste reino e fazem todos tanto por esta fruta, que mandam plantar roças dela, como de cardais: a este nosso reino trazem muitos destes ananases em conserva.”

Se eu fosse o rei e lê-se essa descrição, certamente iria pedir para que trouxessem caixas e caixas para que eu pudesse provar. Não foi bem o que aconteceu, mas não errei por muito. Em meados do século XIX, mais de 200 anos após ter sido escrita a descrição acima, o fruto foi levado para o arquipélago dos Açores para uma experiência botânica. O ananás passou a ser plantado em vasos dentro de estufas nas propriedades das famílias ricas da região como planta ornamental e para consumo caseiro. E assim começava a plantação ainda modesta da fruta em terras portuguesas.

Aqui bem pitiquinhos ainda : )

Deixando de ser uma experiência para se tornar uma das principais exportações

A essa altura o ananás já era bem conhecido entre os portugueses. Não teria como ser diferente depois da matéria publicada pelo O Agricultor Micaelense, primeiro jornal agrícola escrito em português, dedicada ao fruto em 1848:

«Hino perfumado da terra ao seu criador», «tem o diadema porque o não pode engeitar», «tem seduções, que atraem, porque lhas dêo, quem dá tudo», e ainda estoutras convencedoras «limitamo-nos a lembrar a conveniência, que o lavrador poderia encontrar em cultivá-lo; não só para o mercado de sua terra, mas para o d’além mar», «há segundo nos consta exemplos de se já ter creado, e oferecido às bafagens quentes do sul, frutear»…«dos creados em estufas não falemos; esses se não igualarem os da América pouquíssimo àquem lhes ficarão»

Cada estuda vive uma fase diferente ao longo de dois anos, quando são colhidos

Mas nem tudo é doce na vida do residente da ilha de São Miguel naquela época. Não muito tempo depois desta matéria, como já comentamos no post sobre o Chá Gorreana, as plantações de laranja da ilha de São Miguel foram tomadas por uma doença que acabaram com a produção local.

Na necessidade de substituir a importante exportação e geradora de renda local, alguém pensou: “podemos exportar ananás”. Foi então que a produção deixou de ser apenas para consumo interno e ganhou corpo, sendo testada em novembro de 1864, com a primeira exportação realizada já com ótimos resultados. Entusiasmados com o resultado, começou a corrida de construção de estufas para plantio de abacaxi. Praticamente em toda ilha de São Miguel era possível encontrar estufas cheias de abacaxi e esperança.

Do sucesso ao declínio

Por décadas, depois do sucesso da primeira exportação, a plantação de ananás foi importante para a economia local. Tendo sua exportação atingido diversos países como Alemanha, Inglaterra e Rússia. Conseguindo recriar um ambiente adequado para o plantio apesar da ilha não ter vocação natural para tanto, o sistema foi dominado e a estrutura toda montada para se lucrar ao máximo com a operação.

Mas então, passado algumas décadas de bonança, chegaram as Grandes Guerras e com elas o declínio do mercado de exportação dos Ananás. Com as interrupções no plantio e exportação durante o ciclo de guerras, a retomada foi difícil. Os custos de produção praticamente inviabilizaram o negócio e as estufas foram sendo desmontadas. As poucas que ainda funcionam abastecem o mercado local e estão voltadas ao turismo, preservando o modelo único de plantação em estufa.

Bora visitar uma plantação?

Agora que já sabemos a relação histórica de abacaxi brasileiro com as ilhas dos Açores, por que não ver com seus próprios olhos como a plantação em estufa funciona?!

Foram nos recomendados três locais:

Ananases A Arruda
Endereço: Rua Doutor Augusto Arruda Fajã de Baixo 9500-454 Ponta Delgada
Horário funcionamento: Aberto todos os dias (Abril a Setembro das 09:00 às 20:00 e Outubro a Março das 09:00 às 18:00).
Preço: Visita gratuita.

Ananás Santo António
Endereço: Rua José Manuel Bernardo Cabral nº 1 9500-450 Ponta Delgada
Horário funcionamento: Aberto todos os dias das 09:00 às 20:00
Preço: Visita gratuita.

Plantação de Ananás dos Açores
Endereço: Rua das Laranjeiras 9500-317 Ponta Delgada
Horário funcionamento: Aberto todos os dias das 09:00 às 18:00
Preço: Visita gratuita.

Acabamos optando pelo primeiro, mas tenho certeza de que terá boa experiência nos três. Vale destacar que, para quem estiver hospedado no centro de Ponta Delgada, a Plantação de Ananás dos Açores é bem pertinho, quase 2km de distância da Igreja Matriz.

Placa da entrada da talvez mais turística das plantações por aqui

Conta mais da visita!

Como escrevi acima, visitamos a plantação da Ananases A Arruda. Para quem está hospedado em Ponta Delgada, fica algo em torno de 10 minutos de carro. Tem algumas vagas para estacionar o carro bem em frente à entrada e são gratuitas.

Como a entrada é gratuita, o portão fica aberto dentro do horário de visitas sem controle ou necessidade de tickets.

As estufas são lado a lado e dá para entrar em quase todas para checar em qual fase o Abacaxi se encontra

Ao entrar, você verá as estufas no seu lado direito. Em nossa visita, começamos pelas estufas do final do corredor até a entrada. Isso porque o tempo que se leva entre o plantio e a colheita é de 2 anos e cada estufa apresentava um período diferente do plantio. Pudermos ver desde as plantas mais jovens até o os abacaxis maduros.

Depois de passear pelas pequenas estufas, siga para a Casa da Fruta, que é a lojinha do lugar. Lá você provavelmente poderá provar o licor de Ananás e comprar alguma lembrancinha do passeio. Não só os licores estão à venda, você vai encontrar doces, bijuterias, artigos de decoração, roupas, bordado local entre outros itens em que, é claro, o tema são os Ananases.

E falando em itens onde o tema é o abacaxi, na sala ao lado da loja, você vai encontrar uma coleção dedicado ao abacaxi. Trata-se de uma sala com diversos objetos dedicado ao Ananás reunidos em mais de um século pela família Arruda. São mais de 800 peças como louças, pelúcias, óculos, artigos de decoração, entre outros. É ou não é paixão?

Vale a pena ir?

É uma visita rápida, gratuita, perto do centro de Ponta Delgada, histórica, gostosa e que você vai estar em um dos poucos lugares do mundo todo onde se plantam abacaxis em estufa.

Não tem visita guiada ou informações com os detalhes que você encontra nesse post, mas certamente poderá ver com os próprios olhos o processo como um todo e provar o licor, o sumo ou então um sorvete do abacaxi produzido por lá.

Seria muito legal uma visita guiada com os fatos históricos e a explicação de cada etapa da plantação, mas se você estiver com a expectativa regulada, certamente vale a pena a visita. Não só está na nossa lista de 7 motivos para conhecer a ilha de São Miguel, como está entre uma das atrações mais visitadas dos Açores.

Uma das estufas mais maduras que encontramos

Então não importa se você vai se hospedar em um hotel de luxo ou uma pequena pousada. Se vai almoçar em um restaurante 5 estrelas ou em um mais simples. Há uma grande chance de você encontrar várias delícias com base nos ananás produzidos na ilha. Humm! Deu até saudade de tomar um sorvete de ananás enquanto dou uma voltinha no centro de Ponta Delgada.

Enquanto tento pensar em um jeito de matar a saudade do gelato, curta nossa página no Facebook e no Instagram para acompanhar nossos próximos posts e fotos sobre os passeios, restaurantes e outras dicas de viagem. Espero que tenham gostado, compartilhe com os amigos e até o próximo Detalhes de Viagem.

3 comentários em “Ananás, a fruta de origem brasileira e famosa nos Açores

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  1. Vcs falaram que é uma visita rápida, mas em meio a tantas coisas interessantes e deliciosas, quantas horas são necessárias para ver e provar com calma?

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    1. Olá spandreatta, tudo bem?

      É um passeio bem rápido e curioso mesmo. Como na maior parte das plantações não tem uma visita guiada ou muitas informações disponíveis, você deve passar por conta própria pelas estufas com as plantações, na lojinha e no “museu” com os itens de abacaxi. Mesmo parando para tirar fotos, você deve cobrir todo o passeio em algo próximo de 30 minutinhos.

      Abrs!

      Curtir

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