Onde e como ver baleias e golfinhos nos Açores em Portugal

“Baleia a viiiiista”

Olá Viajantes! Eu sei que a frase não é bem essa, mas achei a adaptação válida para o texto de hoje. Como já havíamos adiantado na publicação de 7 motivos para conhecer a ilha de São Miguel em Portugal, embarcamos em um catamarã para passar algumas horas “caçando” golfinhos e baleias e viemos aqui contar tudo o que você precisa saber sobre essa experiência.

Um dos mirantes onde é possível procurar pelas baleias

A relação histórica da ilha com as Baleias e os EUA

Não é difícil encontrar matérias de jornal, livros ou até mesmo estudos científicos que relacionam a história do arquipélago dos Açores com os Estados Unidos da América. Na verdade, faz muito sentido que assim seja. Os Açores está à uma distância de menos de 6h de voo de Nova Iorque. Apenas um pouco mais do dobro que leva para sair de São Miguel, a principal ilha do arquipélago, para chegar em Lisboa.

Não só a distância é relativamente curta, como estar no meio do oceano atlântico norte entre a América e a Europa se mostrou estratégico para os países do ponto de vista militar e comercial ao longo da história por diversas vezes.

Talvez você esteja se perguntando a razão de estarmos falando sobre isso em uma matéria sobre avistamento de baleias e golfinhos. A resposta é simples, embora não muito alegre. Foram os americanos os primeiros a perceberem o potencial que o local tinha para a caçada de baleias.

No final do século XVIII, alguns navios baleeiros começaram a chegar nas ilhas e recrutar a população local para suas tripulações. Foram décadas de navios trafegando entre a Nova Inglaterra e o arquipélago em que americanos e portugueses dividiram espaço perseguindo e matando baleias. Podemos considerar uma atividade cruel hoje em dia, mas comum e muito próspero há poucas décadas. Da carne se fazia óleo para velas, sabão e margarina. Dos intestinos, substância para cosméticos. Com os ossos eram feitos pentes, escovas, espartilhos e artesanato. E assim vários açorianos sustentavam suas famílias, sendo que muitos inclusive emigraram para os EUA aproveitando o frequente trajeto.

Pude ainda encontrar registros que informam que aproximadamente 12 mil baleias foram mortas em menos de 60 anos somente na região. É um número importante, que fez da ilha do Pico, outra ilha do arquipélago, parte da sua história e identidade. Até hoje é possível visitar o museu na ilha que retrata as histórias das caçadas e sua relação com os Açores.

Não faz muito tempo, mas a caça às baleias foi proibida. Em 1987 foi morta a última Cachalote, um ano depois da já diretiva proibição e fechamento da última fábrica de transformação de baleias na região.

Que história triste : (

Eu sei, mas podemos aprender com ela e é o que está sendo feito nos Açores nas últimas décadas. Considerando que o arquipélago dos Açores é um dos maiores santuários no mundo, tendo registro de mais de 20 cetáceos diferentes, o que representa mais ou menos um terço do total existente, vários biólogos e estudiosos passaram a frequentar esse lugar para estudo desses incríveis mamíferos.

E nós, viajantes, podemos fazer a nossa parte, tendo uma experiência incrível sem afetar a vida desses belos animais. Dessa vontade, nasce o passeio de procura e avistamento de golfinhos e baleias.

Um grupo de golfinhos comum veio checar o barco

E o que é esse avistamento?

Basicamente os turistas podem contratar empresas especializadas para leva-los ao mar em diferentes tipos de barcos por algumas horas com a finalidade de encontrar golfinhos e baleias respeitando o bem-estar dos animais e do meio ambiente.

São pelo menos meia dúzia de empresas que oferecem esse serviço com saída em diversos pontos da Ilha de São Miguel e até mesmo de outras ilhas do arquipélago.

Diferentes experiências estão disponíveis para compra. A mais comum é entrar a bordo de um barco no estilo catamarã ou lancha para perseguição e avistamento. Esse foi o passeio que fizemos e detalharemos a seguir.

A nossa experiência em um Catamarã

Pesquisamos algumas empresas que faziam os passeios com saída em Ponta Delgada, onde ficamos hospedados, e acabamos fechando com a Futurismo. Não temos nenhuma parceria com eles, mas gostamos do atendimento e da experiência. Além de avaliarmos que é uma empresa que se preocupa em fazer um passeio com responsabilidade.

Você pode antecipar a compra pelo website da empresa e confirmar as informações por e-mail ou ir até a “loja” que eles possuem na própria marina de Ponta Delgada para fazer a sua reserva. Aqui vale a regra de qualquer outro ponto turístico com vagas limitadas. Se você quer garantir, principalmente em épocas de férias, melhor antecipar a compra online. Do contrário, pode deixar para fechar quando chegar na ilha. Nós optamos por conhecer as empresas e a disponibilidade dos passeios e fechar por lá.

Gostaríamos de ter experimentado todas as opções, mas acabamos priorizando o passeio no Catamarã. Isso porque é um barco grande e bem estável. O que faz da experiência no mar algo mais tranquilo e com boa visibilidade na parte de cima do barco.

Com a reserva do dia anterior em mãos, seguimos para a marina de Ponta Delgada no local combinado e apresentamos o documento próximo das 08:30h. Eles identificaram a reserva e pediram para esperarmos o restante das pessoas chegarem.

Marina na orla de Ponta Delgada de onde saem os barcos para o passeio

O embarque se deu por volta das 09h e, como não tem lugar marcado, a maior parte do pessoal se aglomera na entrada do barco para poder ficar na parte de cima ou próximo da janela na parte de baixo. Não se preocupe com isso. Se não conseguir um “bom” lugar, saiba que a maior parte do tempo (e mais importante que vai ser o avistamento dos animais) você vai acabar fazendo em pé nas laterais do barco.

O passeio começa com uma instrução de segurança e regras gerais. Além da tripulação, biólogos acompanham em todo o trajeto e já passam várias informações sobre os golfinhos e baleias. Eu já tinha lido muita coisa na internet, mas ainda assim eles complementaram com várias informações legais sobre o habitat e comportamento dos animais.

Enquanto os biólogos e demais funcionários vão passando informações, o barco deixa a marina rumo ao mar. Talvez você esteja pensando como é que eles fazem a caçada. Claro que o capitão do barco é experiente e já se encaminha para onde acha que pode encontrá-los, mas a verdade é que eles já fazem um acompanhamento geral em terra sobre as atividades dos animais no mar. Ou seja, existem pessoas responsáveis por tentar localizar em terra os esguichos das baleias ou uma família de golfinhos brincando ou caçando no mar para apontar aos barcos das empresas. Outro método frequente é a comunicação entre os barcos que estão no mar. Quando um encontra, passa a informação aos demais.

O encontro com os Golfinhos

É sempre bom lembrar que, mesmo com todas essas alternativas e as empresas apresentando índices de 98% de assertividade nos encontros com ao menos uma espécie de golfinho ou baleia, pode ser que você não consiga encontrar um cetáceo ou então não encontrar exatamente a espécie que gostaria de ver. Afinal, não é possível marcar hora com os animais. Eles estão livres na natureza e nós apenas estamos tentando encontra-los. Então vá com a cabeça aberta e curta o passeio no espírito de “caçada”. O resto é loteria.

No nosso passeio, por exemplo, não tivemos a oportunidade de ver baleias. Soubemos depois que os passeios do dia anterior e do dia posterior ao nosso encontraram. No entanto, tivemos encontros com dois tipos de golfinhos (Golfinho Comum e o Golfinho Nariz de Garrafa), enquanto esses outros passeios não.

A interação foi muito legal. Conseguimos ver dezenas deles em famílias bem grandes em momentos diferentes dentro das três horas de passeio. Muitos deles ficaram curiosos com o barco e passavam por baixo ou acompanhavam o barco à uma distância muito próxima. Outros ainda brincavam com as ondas que o barco ajudava a fazer.

Um Detalhe que talvez tenha sido um dos pontos altos do passeio e passamos aqui como dica é: vá para a frente do barco quando encontrarem os golfinhos. Muitos deles gostam de nadar por ali. Então, ao se debruçar na ponta, você vai ficar muito próximo desses animais selvagens e poderá, quem sabe, até mesmo ouvi-los se comunicando. Nós ouvimos e achamos incrível.

Queremos saber se conseguiram ouvir os golfinhos : )

Mas eu quero ver os golfinhos mais de perto ainda, posso?

Para aqueles que querem uma experiência mais próxima dos animais, é possível fazer o avistamento em barcos menores de fibra de vidro. Em tese, por ser um barco menor, você estará mais próximo dos animais.

Outra atividade popular, principalmente no verão, são os barcos semirrígidos quem levam os turistas para nadar com os golfinhos em alto mar. No entanto, a primeira coisa que precisa lembrar é que não estamos em um tanque em Orlando ou uma piscina de Cancun. Aqui os animais estão livres e há uma série de regras que precisam ser atendidas.

É permitido nadar com 5 espécies de golfinhos (Roaz-corvineiro, Golfinho-comum, Golfinho-pintado, Golfinho-de-risso e Golfinho-riscado) e funciona da seguinte forma: Um barco pequeno com 8 ou 10 turistas e equipe (incluindo biólogo) seguem para a perseguição destes animais. Quando os encontra, dois turistas pulam ao mar para tentar interagir (sem tocar) com os animais por aproximadamente 15 minutos. Depois outros dois pulam e assim revezam-se até que todos tenham tido a mesma oportunidade. Os turistas acabam caindo no mar algumas vezes dentro de 2 horas e meia de experiência entre a saída e retorno da marina.

O curioso é que a própria empresa que faz a venda do passeio, incentiva a observação e não o nado. Até imagino o motivo. Apesar de interessante, pessoalmente fico imaginando o quão difícil é ter uma experiência realmente próxima e interativa. De qualquer forma, existem relatos muito legais sobre essa experiência. Se você já fez, nos conte como foi nos comentários.

Nosso encontro com os Golfinhos Nariz de Garrafa. A foto não consegue refletir os pelo menos 30 ou 40 que nadavam juntos

Qual a melhor época para se fazer esse passeio?

É um passeio para o ano todo. Não significa, no entanto, que é um passeio para todos os dias. As empresas sempre consideram se o mar e o tempo estão seguros para navegação. Então aqui fica mais uma Detalhe. Lembre-se de checar a política de cancelamento ou remarcação da empresa escolhida.

Outro fator interessante quanto ao período é como isso influencia nos animais que serão vistos. Apesar de não ser possível garantir nada, as baleias cachalotes e várias espécies de golfinhos são moradores da região. Então é muito mais fácil de encontra-los o ano todo.

Na primavera (março a junho), os Açores passam a ser rota de migração das maiores baleias do mundo, entre elas baleia azul, baleia comum e Sardinheira.

No verão (julho a setembro), os destaques vão para as baleias piloto, baleias de bico e os golfinhos pintados.

E quanto sai a brincadeira?

Certamente o valor é variável conforme a atividade e a empresa escolhida. Ainda existe a possibilidade de fechar combos com outras atividades em solo que também são vendidas e influenciam o preço.

De qualquer forma, pela Futurismo, uma experiência idêntica ao nosso relato acima está saindo por 60 euros por pessoa para maiores de 13 anos. Crianças de 6 à 12 anos pagam meia e menores de 6 não pagam.

Já para nadar com os golfinhos que falamos acima, a mesma empresa está cobrando 85 euros por pessoa, precisando ter acima de 8 anos para participar.

Eles passam realmente muito perto do barco. As crianças e os adultos adoram rs

É uma atividade para a família toda?

Sem sombra de dúvida. Apenas recomendamos que as pessoas mais velhas, crianças, quem tem algum problema de saúde ou apenas os mais inseguros mesmo, procure fazer o passeio de catamarã. O barco maior proporciona um conforto melhor. E não pense que o catamarã é uma opção ruim por isso. Além de uma visão mais panorâmica, barcos maiores podem ir mais longe da costa à procura dos animais. Vale a pena!

Tudo isso com responsabilidade

Como comentamos anteriormente, temos a preocupação de que nossos passeios tenham o menor impacto possível ao meio ambiente e à fauna local. Por isso vale dizer que boa parte das empresas deixam público nos seus sites ou podem/devem ser questionadas como abordam o tema.

Alguns exemplos de atitude tomada pelas empresas que achamos boas:

  • Eles mantêm distância mínima de 50 metros da baleia ou do grupo de golfinhos. Claro que, como viram aqui na matéria, alguns golfinhos se aproximam para brincar ou por curiosidade;
  • A aproximação do barco é sempre por trás e ligeiramente paralelo à baleia de forma que ela possa sempre seguir em frente ou para trás sem problema;
  • Também se mantém velocidade baixa perto dos animais;
  • Não separam animais do grupo ou filhotes de seus pais;
  • Não fazem ruídos para atrair os animais
  • Tocá-los, nem pensar!

Enfim, são várias atitudes que nos deixou confortável em seguir no passeio.

Sendo assim, deu pra perceber que embarcar para uma “caçada” aos nossos amigos marinhos ou até mesmo arriscar nadar com golfinhos em alto mar em pleno verão é uma experiência que certamente recomendamos e por isso nos dedicamos a explicar os Detalhes que você só encontra aqui.

Se você teve alguma experiência por lá e quer compartilhar com a gente, não deixe de comentar abaixo. Caso tenha restado alguma dúvida, pode nos mandar também. Curta nossa página no Facebook e no Instagram para acompanhar nossos próximos posts e fotos sobre os passeios, restaurantes e outras dicas de viagem. Espero que tenham gostado, compartilhe com os amigos e até o próximo Detalhes de Viagem.

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