Manaus – Passeio de um dia pelo Rio Negro e Rio Amazonas

Olá Viajantes,

É de conhecimento geral que Manaus é uma capital cosmopolita, mas pensar no Amazonas também é criar expectativas de navegar pelos igapós e igarapés, interagir com botos-cor-de-rosa, conhecer um pouco mais sobre alguns costumes indígenas, ver de perto as regionais vitórias-régias em seu habitat natural e, claro, se imaginar no famoso Encontro das Águas.

Para quem chega no Amazonas por Manaus, a oportunidade de viver todas essas experiências pode ser concentrada em um passeio que parte de um dos portos da cidade e que ocupa o dia todo, mas que passa voando de tão bom.

Agora chega de enrolação, vamos aos Detalhes desse passeio que nós experimentamos e recomendamos.

Parece até mar, mas é o Rio Negro O.O

Com quem eu faço esse passeio?

Antes de decidir exatamente com quem ou como será feito estes passeios, é necessário escolher quais as experiências serão realizadas. Essa escolha influenciará no tempo de duração do passeio e de qual porto é possível partir.

Caso o foco seja exclusivamente conhecer o Encontro das Águas, por exemplo, duas horas devem bastar e o preço vai se resumir ao táxi do seu hotel até o porto e o valor cobrado pelo barqueiro de cooperativa contratado na hora mesmo. Já para quem quer ter a experiência mais completa, então comprar com antecedência em uma agência da região que vai te levar em um passeio de dia todo passa a ser a melhor opção.

Sabendo que teríamos as experiências de navegar pelos igapós e conhecer uma comunidade cabocla no hotel de floresta que ficaríamos alguns dias depois, consideramos que era mais imperdível em nosso roteiro conhecer o famoso Encontro das Águas e ter a interação com os botos-cor-de-rosa.

No entanto, quando pesquisamos um pouco mais sobre os dois passeios, descobrimos que o Encontro fica de um lado do rio e a experiência com os botos do outro lado, o que praticamente inviabiliza um roteiro exclusivo para esses dois passeios apenas. Como alternativa, fechamos um passeio de dia todo que, além destas duas paradas, incluiria a visita à aldeia indígena, o almoço em um restaurante flutuante e a navegação pelos igarapés até o Parque Janauary com visitação às vitórias-régias. Posso dizer que foi uma escolha acertada!

Esse talvez seja um dos passeios mais populares e não será difícil encontrar uma empresa que o ofereça. Depois de pesquisar as avaliações de empresas no tripadvisor, acabamos fechando com a Amazon Eco Adventures.

As casas flutuantes é cenário constante nesse passeio

E a experiência?

O dia começa com a empresa buscando os passageiros do dia em seus hotéis logo cedo. Todos embarcam em uma lancha da empresa na Marina Nilo, uma marina privativa onde a Amazon Eco Adventures opera, e estamos prontos para começar a aventura. Todos os profissionais da empresa foram muito simpáticos e competentes, do motorista da van ao barqueiro da lancha. O guia, nascido e morador da região, mostrou-se um grande conhecedor do local, não só dispondo de informações sobre o que estávamos vendo, mas também tirando dúvidas de todos no barco.

O barco que levou a gente no passeio descendo da marina

Além de nós dois, outras 8 pessoas dividiram confortavelmente essa lancha. Instruções dadas, algumas informações sobre o que veríamos no dia foram revisitadas e seguimos de lancha rápida para a primeira parada do dia:

Aldeia Indígena

Aqui talvez estivesse meu maior receio neste passeio. A experiência de se visitar uma aldeia indígena dividem opiniões. Há quem considere constrangedora para nós e para eles a ideia de se visitar uma aldeia indígena, como se estivéssemos incentivando uma espécie de zoológico humano. Por outro lado, há quem considere uma experiência transcendente e única. No nosso ponto de vista, nem uma coisa e nem outra!

Espaço dedicado às apresentações na tribo

A visitação na verdade acontece em uma oca já direcionada para apresentação aos turistas. Um dos chefes apresenta a tribo, fala de alguns costumes, explica sobre a preparação de alguns alimentos e convida os turistas a comprar alguns artesanatos. Enquanto isso as mulheres da aldeia podem fazer uma pintura corporal com pasta de semente urucum por algo em torno de R$ 10 (leve trocado).

Depois de algum tempo de interação acontecem as encenações de rituais. No nosso caso foram três apresentações de dança e música com instrumentos típicos apresentadas e explicadas sob quais contextos acontecem realmente no dia a dia da aldeia. Na última apresentação, os homens da aldeia convidam as mulheres turistas e as mulheres os homens turistas para uma dança que confesso foi bem divertido e difícil de acompanhar.

Uma das apresentações de música e dança

Eu me recordo que deixei a oca com um sentimento bom, o que me faz entender que foi uma boa experiência como um todo. Assim como em vários lugares no Brasil ou no mundo, é possível assistir uma apresentação de dança e música regional com os costumes locais. De alguma forma isso é muito próximo do que vivenciei na aldeia indígena. Considero que toda a apresentação foi em bom tom, instrutiva e divertida.

Botos-cor-de-rosa

Todos de volta no barco, seguimos para a interação com os botos. O caminho é muito bonito, sendo possível ver algumas aves e, para os mais atentos, até alguns animais. Quando passamos por uma praia de rio, tivemos a sorte de avistar uma ariranha caçando. Esse é um tipo de avistamento raro segundo o nosso guia, mas isso é um pouco do que a Amazonia pode te proporcionar se você estiver atento à sua volta. Ao se afastar um pouco do centro urbano, tenho certeza que algum avistamento interessante será feito. Essas chances aumentam muito mesmo para quem vai fazer um cruzeiro de alguns dias pelos rios amazônicos ou então se hospedar em um dos hotéis de floresta.

Chegamos no Flutuante Boto Jacaré Ubal. Como o próprio nome já sugere trata-se de uma estrutura flutuante que fica dentro do Rio Negro. O espaço é interessante para quem, como eu, não está acostumado com esse tipo de construção. O espaço é super adequado com um salão grande com duas mesas cumpridas, dois banheiros e um deck com acesso ao rio onde a experiência acontece.

Chegamos no meio manhã e éramos apenas a segunda embarcação do dia. Segundo o nosso guia, ali era um bom lugar para ter essa experiência porque era mais afastado de Manaus. Sendo assim, menos barcos chegam para fazer a experiência e mais botos poderiam aparecer. Não posso confirmar o que foi dito, mas posso dizer que quatro botos apareceram na água assim que entramos.

Diferente do que vemos em tanques de Orlando e outros lugares do mundo, aqui os animais estão soltos e nadam livremente pelo rio. A interação acontece porque esses botos estão acostumados com a presença humana. Incentivados há muito tempo com a oferta fácil de alimento dado pela mão dos profissionais locais, os botos vêm se alimentar e vão embora quando satisfeitos enquanto a interação com o turista vai acontecendo.

Como estávamos em dez pessoas, fomos divididos em dois grupos de cinco. Apesar desta divisão delimitar a quantidade disponível de peixe a ser oferecido e o tempo na água, podemos dizer que a experiência foi individualizada. Isso porque dentro da água o grupo é novamente dividido para que cada casal ou quem viaja sozinho possa se aproximar dos animais com a supervisão do profissional que está ali com o peixe.

Como podem ver na foto, uma pessoa carrega um balde cheio de peixe e levanta bem alto para que os botos saiam da água bem perto dos turistas. Neste momento é possível não só os ver bem de perto como ainda passar a mão em alguns deles. São animais grandes, fortes e muito bonitos. O tom cinza roseado torna-se ainda mais rosa quando perto da superfície do Rio Negro e justifica o nome dado.

Algumas regras de segurança precisam ser seguidas, como não colocar a mão perto do espiráculo (aquele buraco no topo da cabeça, sabe?!) e utilizar o colete salva-vidas. Apesar disso, seguindo todas as regras direitinho, é uma experiência muito legal e que vale a pena tentar.

Não se esqueça de levar uma muda de roupa ou então já estar vestido para entrar na água quentinha do Rio Negro para este passeio. Também leve uma toalha para se secar depois e seguir viagem.

Uma Ponte, uma prévia do Encontro e um Almoço.

Essa é a última experiência do lado de cá do rio e o barco segue para o almoço. Perto do meio dia a lancha acelera pelo mesmo caminho que veio passando pelas florestas submersas até chegar à Ponte Jornalista Phelippe Daou ou mais conhecida como Ponte Rio Negro.

Conectando Manaus e Iranduba, essa é a maior ponte estaiada do Brasil com 3,6 km de extensão. Inaugurada em 2011 e facilitando muito para quem antes tinha que pegar as balsas todos os dias, essa ponte ficou conhecida como a ponte mais cara do Brasil com um orçamento de mais de 1 bilhão de reais.

De fato, é um colosso que mal cabe na foto dentro do barco, mas o barco deve parar fazer esse registro. Seguindo por baixo da ponte e podendo ver as marcações das cheias do rio seguimos até o que achamos que seria o Encontro das Águas.

Notamos que o barco estava passando por onde o rio tinha duas colorações, exatamente como vimos que seria o Encontro na Internet. O guia então explicou que aquele ali era apenas um reflexo, quase como uma prévia, e não o Encontro de verdade que estava mais à frente e que veríamos na volta. Ele alertou ainda que alguns barqueiros, para economizar combustível e tempo, trazem os turistas até ali ao invés de levarem ao Encontro de verdade.

O Encontro das águas fake rs

Seguimos viagem por mais tempo até chegar à outra estrutura flutuante, mas dessa vez muito maior do que a do boto. Todo um restaurante com cozinha, banheiros e um salão de buffet com mesas e cadeiras se encontrava na beirada do rio. O almoço já incluído no pacote se encontrava em uma grande mesa para se servir à vontade. Algumas opções regionais de peixes, arroz e salada faziam parte do cardápio, além dos sucos de frutas regionais para acompanhar.

Parque Janauary

Depois do almoço, tiramos algum tempo para passar pela lojinha de artesanatos e fazer algumas fotos dos macacos que se aproximam das casas flutuantes.

Os macaquinhos que moram por ali esperando alguém dar alguma fruta

Com o grupo reunido, o guia toma a frente e seguimos por uma espécie de ponte de madeira por cima da floresta que fica na beirada do restaurante e que nos levaria até o lago onde as vitórias-régias podem ser vistas. Janeiro não costuma ser o melhor momento para este passeio, mas confesso que foi até melhor do que eu imaginava. Próximo da beirada de um lago que ainda não tinha secado completamente, mas muito abaixo do seu potencial, pudemos ver algumas delas concentradas.

O nome Vitória-régia foi uma homenagem que os britânicos deram à rainha Vitória quando as sementes da planta foram levadas do Brasil para a Inglaterra pelo explorador alemão Robert Hermann Schomburgk à serviço da coroa.

Particularmente gosto mais do apelido Rainha dos Lagos, mas a verdade é que ela possui vários nomes: irupé (guarani), uapé, aguapé (tupi), aguapé-açu, jaçanã, nampé, milho-d’água, cará-d’água, apé, forno, forno-de-jacaré, forno-d’água, forno-de-jaçanã (esses últimos nomes porque a folha lembra o forno de fazer farinha de mandioca), iapunaque-uaupê e iaupê-jaçanã.

As folhas em formato de círculo ficam na superfície da água e podem chegar à dois metros e meio de diâmetro suportando até 40 quilos. Nós mesmos vimos uma espécie de lagarto tomando sol sob a folha e um pássaro comendo enquanto caminhava sobre outras folhas. Outro destaque fica por conta das flores em tons de rosa e branco que podem chegar à 30 cm de diâmetro, sendo a maior da américa.

Mesmo fora da época da alta do rio demos sorte de ver as vitórias-régias

Depois de algumas fotos seguimos de volta pelo mesmo caminho suspenso da ida na companhia dos macacos que ficam o tempo todo de olho nas suas coisas. Encontrei relatos de pessoas que perderam objetos pessoais para os macacos por deixarem sem supervisão. Então já sabe, quando for fazer suas fotos, não deixe sua mochila ou outro objeto dando sopa porque um macaco pode pegar para se divertir.

As cidades flutuantes e uma pesca divertida

A próxima parada não chega a ser bem uma parada. Com todos de volta ao barco, seguimos por alguns igarapés. É hora de relaxar para observar a mata ao redor. É possível ver alguns pássaros, preguiças e até pequenos jacarés com um pouco de sorte.

Olha ali o jacarezinho. Tem que estar atento para ver os animais.

Apesar de termos visto algumas casas flutuantes pelo caminho, o barco nos leva à um “bairro” completo com casas, igrejas e até escola flutuante. Todas paradas lado a lado flutuando e tendo por acesso apenas o rio. Penso que, além de curioso, pode ser um tipo de morada bem útil quando não se gosta do vizinho. Caso as coisas não estejam funcionando bem, é só levar a casa para o outro lado do rio.

Adorei a escola flutuante

Uma dessas casas era um criadouro de pirarucu. O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Há registros de criaturas com mais de três metros de cumprimento e 330 quilos. Como gosta de viver em rios e lagos de águas cristalinas, alcalinas e com temperatura que varia de 24 a 37ºC, a bacia amazônica é o seu lugar ideal. Além de muito comum nos rios da Amazonia, também é comum nos pratos da região. Carinhosamente conhecido como o Bacalhau da Amazônia, dificilmente você sairá dessa viagem sem ao menos ter a possibilidade de experimentar esse que é um dos peixes adorados do Amazonas e Pará.

A estrutura flutuante tem alguns espaços dentro do próprio rio onde os animais são confinados para criação. Além de observá-los, o lugar disponibiliza algumas “varas de pesca” para sentirmos a força desses peixes.

A experiência consiste em amarrar um pedaço de isca em uma das pontas de uma corda grossa enquanto o outro lado fica amarrado em uma espécie de vara. Eu relato como uma espécie de vara porque na verdade é um pedaço grosso de madeira que já me fez pensar na força que teria aquele peixe para precisar de uma madeira tão grossa. Ainda que eu tentasse antecipar, a força desse peixe me surpreendeu. Ao colocar a isca na água, ela foi abocanhada e eu precisei puxar com as minhas duas mãos para levantar o bastante já sem a isca.

Haja força pra levantar esses 120kg

A força do pirarucu é bem conhecida na verdade. Existe uma matéria no Portal da Amazônia sobre a possibilidade de o pirarucu nocautear um ser humano com uma cabeçada ou rabada. Spoiler: sim é possível!! Honestamente, pensando que a minha brincadeira se deu com um Pirarucu de “só” 120 quilos, eu imagino o que um de 330 quilos não pode fazer. De qualquer forma, vale dizer que não é um peixe que costuma atacar e relatos de mordidas são pouco conhecidas.

Mas eu entrei nessa matéria para ler sobre o famoso Encontro das Águas, cadê?

A primeira possibilidade de ver o Encontro é pelo céu quando estiver chegando em Manaus. Se estiver sentado do lado certo do avião e em um dia sem nuvens, o Encontro já se mostra na janelinha para quem parar para observar alguns minutos antes de iniciar o pouso. É claro que é só um gostinho, mas vale a dica.

Para quem não quer ou não terá tempo de fazer nada do passeio que contamos aqui, mas quer conhecer o Encontro das Águas, saiba que é possível e um passeio relativamente rápido. Basta pegar um táxi até ao Porto da Ceasa e procurar pela Cooperativa de barqueiros do Sol Negro, combinar o preço do barco (ouvi relatos de que o barco sai por volta de R$ 80) e em dez minutos de navegação já estará navegando no Encontro das Águas. Tudo isso não deve ocupar mais do que duas horas do seu dia e o preço vai se limitar ao trajeto do táxi + o valor do barqueiro. Você também pode contratar só esse passeio com alguma agência de turismo local, mas deve sair mais caso e não acho que vale a pena se estiver confortável em fazer por conta própria.

Para quem tiver feito como nós, o Encontro talvez seja a última experiência deste passeio de dia todo e encerra com chave de ouro. Quando menos se espera é possível ver o Encontro ao longe se aproximando e talvez seja o momento mais bonito para se observar. Isso porque a linha não é tão simétrica e de perto as vezes perdemos a referência e por isso uma boa foto vale a pena ser tirada antes mesmo de chegar.

Nesse momento, com muito cuidado por favor, o guia pede para que coloquemos a mão na água. Então o barco passa na “divisória” do rio e podemos sentir a diferença de temperatura quando o barco cruza de um lado para o outro.

Nesse momento com certeza será explicado que essa divisão das águas se dá porque os dois rios têm temperaturas, PHs e velocidades muito diferentes. O Rio Negro tem sua nascente na Colômbia e vem trazendo na sua bagagem por quilômetros e quilômetros uma água cheia de húmus e ácida. Como se fosse um gigantesco pote de chá, A temperatura chega a 27ºC e circula perto dos 2 km/h. Já o Rio Solimões que se torna o Amazonas depois, tem sua origem no Peru e carrega uma água cheia de cálcio e magnésio. A temperatura é mais fria, perto dos 22ºC mas muito mais veloz, perto dos 5 km/h.

Agora sim o Encontro que queríamos ver rs

Não é o único Encontro de Águas do mundo, mas é um dos maiores e mais conhecidos. Junto do Teatro Amazonas é umas atividades imperdíveis de Manaus e precisa estar no seu roteiro.

Esse é um passeio completo para quem tem um dia todo em Manaus e quer ter um gostinho de várias experiências. Mas não é só na floresta ou no rio que a cidade tem coisas para oferecer. Curta nossa página no Facebook e no Instagram para acompanhar nossos próximos posts e fotos sobre os passeios, restaurantes e outras dicas dessa viagem pelo coração da Amazônia.

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